: Nessie @ 16:58

Dom, 20/10/13

 

A quem ainda estiver por aí,

 

A minha vida já deu umas quantas voltas desde que aqui escrevi pela última vez. Acabei o curso e resolvi deixar a ideia de tirar mestrado on hold. Quem costumava ler o que por aqui se escrevia sabe que já após ter acabado o secundário gostaria de ter tirado um ano antes de regressar aos estudos para sair de casa, ser espontânea, ir à aventura, viver um bocadinho. Acabei por fazê-lo agora num contexto diferente.

Encontro-me há três semanas em Londres.

A meio do Verão enviei um currículo para um emprego que nem sabia muito bem o que era, nem tão pouco pensei que tivesse a ver comigo, mas resolvi arriscar. Em Agosto trabalhei numa biblioteca infantil, e durante uma hora de almoço recebo um telefonema da empresa para onde me tinha candidatado. Quiseram marcar uma entrevista; vim até Londres para o fazer. Não tinha vontade nenhuma de lá ficar, comecei a ficar aterrorizada com a ideia de que não estava à altura de um emprego daqueles, que afinal não queria. Após a primeira entrevista passei o fim-de-semana a passear pela cidade, a familiarizarmente novamente com este sítio. E pensei que mesmo que o emprego não seja o que quero, que se foda, eu quero é isto, quero este sítio, quero esta liberdade, quero esta alegria. Inglaterra faz-me sempre sentir tão à vontade para ser o que quiser. Chamaram-me para uma segunda entrevista na segunda-feira, e no dia a seguir a regressar a Portugal recebo um telefonema a dizer que me querem fazer uma oferta.

A mudança foi uma correria, mas nunca hesitei. Já cá estou. Há dez anos que queria isto.

E estou bastante feliz, bolas. Tão feliz. Não sei o que vai ser da minha vida daqui para a frente mas por agora posso dar-me ao luxo de viver um dia de cada vez.

Até do trabalho estou a gostar, muito mais do que alguma vez esperei. Procurei casa com uma amiga com quem falava apenas pelo twitter há cerca de ano e meio e que só conheci pessoalmente quando vim cá para a entrevista, porque a vida tem destas coisas engraçadas. E passámos aqui umas semanas difíceis mas para já já temos um apartamento a que podemos chamar casa por uns tempos.

 

Não sei como me sinto em relação a este blog. Como já devem ter percebido, não lhe tenho dedicado tanta atenção. Penso que começarei a usar mais este, e há uns tempos comecei um canal no YouTube que tem andado parado mas também há de ver dias melhores daqui para a frente.

Para já não vou tomar uma decisão em relação a este meu cantinho, mas penso que continuará a ficar bastante calado. O que actualizo mais frequentemente são as minhas contas do twitter e instagram, para quem estiver interessado em updates.

 

We'll see.


tune: settle down - the 1975


: Nessie @ 20:51

Seg, 28/01/13

 

Ultimamente quando tento escrever qualquer coisa para o blog nunca consigo acabar. Tenho guardados posts sobre viagens que se realizaram em 2012 mas ainda não acabei nenhum. E quanto a acontecimentos recentes, digamos que estou de férias e passo mais tempo dentro de casa que outra coisa, a ver filmes e séries e a devorar os livros que já me esperavam nas prateleiras há uns tempos, saindo à rua para passear o cão ou ocasionalmente ir até ao ginásio e pouco mais. Admito: caí na preguiça.

Hoje pedi o carro emprestado ao meu pai e fui dar uma volta. Tenho a carta de condução há um ano mas infelizmente tenho tido poucas oportunidades para me pôr atrás de um volante, uma vez que não tenho carro próprio e o da minha mãe rejeita-me, e com o pouco tempo que passo com o meu pai é tudo uma questão de timing. A saudade de conduzir aperta, porque adoro; e hoje aproveitei para ir até ao shopping. Mimei-me com os saldos da women's secret, e comprei o Harry Potter e a Câmara dos Segredos em dvd. E como me farto facilmente de compras ainda estive sentada num sofá a ler na companhia de um cappuccino, só porque não tinha mais nada que fazer nesta segunda-feira.

Férias é outra coisa.


tune: lisztomania - phoenix


: Nessie @ 18:40

Qui, 13/12/12

 

Daqueles dias que têm tudo para ser péssimos mas que acabam por correr bem.

Hoje tive duas frequências com duas avaliações pelo meio, e embora não tenha estudado absolutamente nada - primeiro por causa da viagem, depois porque fiquei doente, depois porque me deu a preguiça, - acho que me safei a tudo razoavelmente. A gramática do italiano não há de estar tão boa como esteve no primeiro teste, e embora tenha escrito seis páginas para literatura vitoriana talvez ainda tenha deixado muito por dizer, mas pelo menos ficou feito e estou contente por não ter sido completamente inútil. A avaliação escrita de inglês ainda foi o que correu pior, mais parecia um essay de 7º ano, mas depois recebi os resultados das duas tasks anteriores e tive 17 tanto na escrita como na oral. O trabalho escrito era uma carta de opinião com base num artigo de jornal à nossa escolha, e a professora disse que estava muito bom - o que significa muito para mim porque é precisamente na escrita que pretendo investir. Depois em conversa perguntou-me se eu não gostava de fazer um mestrado ou pós-graduação em Inglaterra. Como é que ela terá  adivinhado...

Para já tenho de me concentrar em acabar as coisas por aqui, e estou feliz por tudo estar a correr bem até à data. Agora é hora de acender as velas do meu quarto e relaxar na cama a ver filmes, que os fins-de-semana de três dias são a minha consolação deste 3º ano de faculdade.

 

12 dias para o Natal!


tune: song for you - alexi murdoch


: Nessie @ 13:03

Dom, 25/11/12

 

O Erasmus foi definitivamente das melhores coisas que me aconteceu no sentido em que foi um grande ponto de viragem na minha vida. Não apenas pela experiência de estudar no estrangeiro, mas pela perspectiva que me deu e pelas diferenças que encontro agora que estou de volta.

 

Imediatamente após o meu regresso notei uma aproximação por parte da minha família, nomeadamente o meu avô. Não me interpretem mal, sempre me dei muitíssimo bem com os meus avós paternos e eles sempre estiveram bastante presentes na minha vida. Mas após a minha estadia em Inglaterra, sinto-me mais próxima do meu avô que nunca.

Gosto muito do meu avô; é o único que tenho, o único que conheci. Fui a primeira neta e durante três anos fui a única, por isso recebi toda a atenção e mimos que uma neta pode receber. Quando a minha mãe soube que estava grávida de uma menina insistiu para que se chamasse Inês, ao que o meu avô reagiu com um épico "Inês? Mas que nome é esse?" Reza a lenda que, meses depois, quando me viu pela primeira vez no hospital, uma recém-nascida um tanto prematura, refilou com as enfermeiras todas porque os outros bebés tinham dois cobertores e eu só tinha um. (Estes dois episódios definem completamente a sua pessoa.) Era o meu avô que me levava ao parque frequentemente para dar pão aos patos, ver os animais, brincar nos baloiços e escorregas. Quando íamos até à terrinha visitar a sua mãe, deixava-me ajudar a alimentar as galinhas e a regar o quintal onde vivia uma rã chamada Ticas. A Ticas habitava também a única janela de uma casa térrea desenhada em traços simples e infantis, e que é a única obra de arte que o meu avô desenhou vezes sem conta aos seus sete netos ao longo dos anos. Ainda hoje me pisca o olho quando a minha avó o manda parar de refilar com os políticos na televisão, e a sua mania de assobiar melodias passou para o meu pai e mais tarde para mim. Mas ainda que sempre tivéssemos sido próximos, nunca o conheci tão bem como nos últimos cinco meses.

Quando regressei senti que o meu avô se tornou ainda mais protector, mas também que passou a tratar-me como uma neta já adulta. Por um lado deve-se ao facto de termos tido pouco contacto durante a minha ausência, uma vez que os meus avós nunca quiseram ter computador ou internet. Mas para além de ter compensado este tempo de separação, ele tem tido conversas mais sérias comigo, e a ligação com a Inglaterra fê-lo relembrar os seus tempos de juventude quando lá foi pela primeira vez com colegas da Força Aérea e a altura em que viveu em Londres com a minha avó. Contou-me várias histórias sobre as suas experiências por terras de Sua Majestade, coisas das quais eu não fazia a menor ideia, e permitiu-me conhecê-lo não só como meu avô, mas também como pessoa. Sempre tive mais oportunidades para conversar com a minha avó, por isso é extraordinário sentir toda esta cumplicidade agora com o meu avô.

 

Quando visitei a irmã da minha avó na Bélgica em Junho, ela contou-me sobre as viagens que tem feito com o marido nos últimos anos, desde os Açores à Índia, e comentou que era uma pena os meus avós já não viajarem muito, em grande parte porque o meu avô perdeu a vontade de sair da sua rotina entre a casa e a casa da terrinha. No entanto, há uns dois meses o meu avô anunciou que no próximo Verão quer ir comigo a Londres para visitar a sua college e todos os outros locais que fizeram parte da sua vida. Será a primeira vez que ele visita Londres em décadas. A minha avó sorri como quem diz "Isto já lhe passa," mas a verdade é que sempre que o vejo ele volta a mencionar Londres com entusiasmo. E gosto de o ver assim. Gosto de pensar que a minha experiência Erasmus não me mudou só a mim.


tune: sigh no more - mumford & sons


: Nessie @ 16:32

Qua, 07/11/12

  fotografia © Nessie http://nessieontherun.blogs.sapo.pt


O meu cão acha-se muito engraçado, tem aquele charme de cachorrinho abandonado mas é todo delicado e elegante nos seus maneirismos (i.e. levanta uma pata quanto se senta a pedir comida, cruza as patas da frente quando se deita, passa a vida nas limpezas estilo gato, etc.) Se eu viesse aqui contar todas as histórias engraçadas que ele já nos proporcionou, mais valia criar um segundo blog apenas para esse propósito.

Quando a minha mãe sai de casa de manhã e eu ainda estou a dormir, ela tem de abrir a porta do meu quarto porque o cão detesta estar sozinho e iria apenas arranhar a minha porta. Mas ele sabe que estou a dormir, e por isso com a porta aberta limita-se a entrar e a deitar-se aos meus pés à espera que eu acorde, sem incomodar. Ora hoje não tive aulas e não pus despertador para descansar até mais tarde, já que não tenho tido hábitos de sono muito saudáveis ultimamente, e acabei por dormir até ao meio-dia. Aliás, talvez tivesse dormido mais se não fosse este menino.

Hoje a minha mãe esqueceu-se de deixar a porta do terraço aberta, o que normalmente nem traz problemas porque não costumo dormir até tarde e por isso sou eu que o faço. Mas coitado do bicho, ao meio-dia já não aguentava esperar mais, e por isso decide deitar-se em cima de mim, uma pata da frente para cada lado da minha cabeça, e nisto acordo com parte dos seus 11 kg a esmagarem-me a caixa torácica e um focinho com ar de quem está em sofrimento a cinco centímetros do meu nariz.

Regra geral ele já não tem muita noção do que é "espaço pessoal" e serve-se de mim como encosto a toda a hora - nomeadamente neste momento está a dormir enroscado contra as minhas pernas no sofá. Mas esta foi sem dúvida a vencedora.


tune: how can you swallow so much sleep - bombay bicycle club

quote de descrição do blog: últimas palavras de François Rabelais, segundo o livro Looking for Alaska (John Green) imagem do cabeçalho via catfromjapan.tumblr.com
Apenas possuo imagens publicadas no meu blog quando mencionado. Todas as restantes - a maioria delas - são retiradas da internet.
"I go to seek a Great Perhaps.
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