: Nessie @ 13:49

Sab, 07/07/12

 

Autor: Kurt Vonnegut

Título original: Galápagos

Tradução portuguesa: [informação indisponível]

Ano de publicação: 1985

A minha edição: Flamingo 1994 (inglês), 237 páginas

A minha avaliação no Goodreads: 4/5 estrelas ("really liked it")

 

Sinopse (de acordo com a contra-capa):

Long, long ago, as he researched into the origin of the species, Charles Darwin has been inspired by the creatures of the Galápagos. Now, a million years on, the new inhabitants of the islands - the human survivors of the 'Nature Cruise of the Century' - have quietly evolved into sleek, furry creatures with flippers, and small brains. All other forms of humankind have ceased to exist, finally made redundant by their own inventions.

All that survives of their Big-Brain Culture is contained in Mandarax, a tiny electronic marvel which can recall any one of twenty thousand popular quotatios from world literature, as well as translate among a thousand languages. Unfortunately, Mandarax doesn't understand Kanka-Bono, the language of the cannibals who have arrived to 'look after' the new humanity...

 

Comentários da imprensa (de acordo com a contra-capa):

'Vonnegut's best novel since Slaughterhouse 5.' Martin Amis, Observer

'Galápagos is Vonnegut's funniest and maddest book in years.' Time Out

'Galápagos is clever, extremely entertaining, cordially balancing on the knife edge of blackness and never falling off.' Guardian

 

 

Escolha:

No ano passado estudei Literatura Norte-Americana Contemporânea na faculdade, e uma das obras abordadas para tratar o pós-Guerra foi Slaughterhouse 5 (Matadouro Cinco) de Kurt Vonnegut. Sem nunca ter lido qualquer outro trabalho do autor, devorei o livro e apaixonei-me pela história, pelo estilo, e sobretudo pela voz de Vonnegut naquilo que transmite muito além dos acontecimentos. Slaughterhouse 5 foi daqueles livros que me marcou profundamente e que aconselho a todos, por isso estava há bastante tempo com curiosidade para ler outra obra do mesmo autor. Galápagos acabou por ser um "acidente feliz"; não sabia sequer da sua existência mas encontrei-o depois de algum tempo a revistar as prateleiras de uma loja de livros em Bristol, quando lá estive com as três amigas em Abril como parte das nossas férias em Londres. Esta loja tinha a particularidade de vender todos os livros (todos!) a duas libras, pelo que a questão nem se pôs: encontrei um livro de Vonnegut, tinha de o comprar.

 

 

Review:

A sinopse descrita na contra-capa deste livro não é inteiramente correcta, pelo que é importante não criar demasiadas expectativas à volta dela. No entanto, assim que a história começou, fui agarrada pela voz do narrador e pelo desenrolar da acção. O narrador conta-nos a história dos acontecimentos que antecederam o naufrágio do Bahía de Darwin, aquele que é apelidado "O Cruzeiro de Natureza do Século" e que parte de Guayaquil no Equador até às ilhas Galápagos; o ano é 1986 mas o narrador está situado um milhão de anos depois. O seu objectivo é relatar como esta história de há um milhão de anos atrás afectou a humanidade dos tempos em que se encontra, uma humanidade de número limitado em que os únicos humanos que ainda habitam o planeta residem nas Galápagos e evoluíram para criaturas de cérebros pequenos, pele peluda, e barbatanas.

A história tem como base a teoria da evolução de Darwin. O rumo que os acontecimentos tomam e as reviravoltas na história são muitas vezes considerados pelo narrador de um ponto de vista evolucionista, que especula como o futuro da humanidade teria sido diferente se as coisas tivessem corrido de outra maneira. Outro aspecto que o narrador realça ao longo do livro é a forma como muitos dos erros cometidos pelas personagens são culpa dos seus "cérebros grandes", e como estes atrapalham a evolução do ser humano.

If I may insert a personal note at this point: When I was alive, I often received advice from my own big brain which, in terms of my own survival, or the survival of the human race, for that matter, can be charitably described as questionable. Example: It had me join the United States Marines and go fight in Vietnam.

Thanks a lot, big brain.

(p. 31)

Sem querer estragar o livro a futuros leitores, tenho a dizer que um dos seus pontos fortes é sem dúvida a voz satírica do autor, e o próprio narrador que de início é um mistério e que tem o seu interesse assim como a própria história que está a narrar. A sua identidade é eventualmente revelada, e os fãs de Vonnegut irão sem dúvida apreciar a personagem que ele revela ser. Todas as personagens que são introduzidas têm o seu papel a cumprir e são bastante variadas, e é-nos contado o seu percurso de vida e como este os levou à situação em que se encontram. A existência de Mandarax, um aparelho tecnológico capaz de efectuar traduções e apresentar citações literárias de acordo com temas ou palavras-chave, é um elemento interessante e que contribui não só para o desenvolvimento de acção como também para uma geral valorização do livro em si.

Achei Galápagos de grande interesse e uma boa escolha principalmente para quem admira as histórias um pouco sci-fi, um pouco satíricas de Kurt Vonnegut. É bastante acessível, um bom entretenimento, e no entanto também levanta questões de maior importância. Para mim, foi a leitura de praia ideal e confirmou a minha admiração por este autor.


tags: ,

quote de descrição do blog: últimas palavras de François Rabelais, segundo o livro Looking for Alaska (John Green) imagem do cabeçalho via catfromjapan.tumblr.com
Apenas possuo imagens publicadas no meu blog quando mencionado. Todas as restantes - a maioria delas - são retiradas da internet.
"I go to seek a Great Perhaps.
mais sobre mim
links